Medidas são adotadas para reverter seca na Baía do Chacororé

27 de janeiro de 20218min
sema

O Governo de Mato Grosso, por meio das secretarias de Meio Ambiente (Sema) e Infraestrutura (Sinfra), Assembleia Legislativa e Ministério Público definiram, em conjunto, ações para restabelecer o fluxo da água para a Baía de Chacororé, em Barão de Melgaço. As instituições definiram que, em caráter emergencial, já serão feitas as desobstruções dos corixos que cruzam a estrada vicinal do Estirão Comprido.

“Vamos imediatamente remover os aterros que estão impedindo que água chegue até a Baía. Nesse momento, os cursos d’agua apresentam pouca água devido à seca que estamos enfrentando, porém, essas ações serão importantes quando o fluxo aumentar”, explica a superintendente ambiental de obras da Sinfra, Nadja Felfili.

As medidas emergenciais incluem a desobstrução de quatro pontos de passagem de água e limpeza de canal do rio Chacororé, e desobstrução dos corixos Manoel Domingos e Lueggi. De acordo com vistoria feita pela Sema e Sinfra, os desvios construídos ao longo da rodovia Estirão Comprido para reforma das pontes estão interrompendo o fluxo de água.

 

Além das ações emergenciais, que devem ter início já nos próximos dias, o grupo também definiu, durante reunião realizada nesta segunda (25), que dentro de dez dias irá apresentar um plano de ação com as medidas a serem tomadas em médio e longo prazo.

“A médio prazo vamos realizar um estudo em todos os corixos às margens do rio Cuiabá para verificar se foram construídos diques e quais os impactos que a remoção dessas estruturas terá no fluxo de água e nas comunidades do entorno. A longo prazo, vamos estudar a desobstrução do córrego Cupim que abastece o banhado a partir da Serra de São Vicente”, detalha o secretário Adjunto Executivo da Sema, Alex Marega. Os estudos também terão apoio do Juizado Volante Ambiental (Juvam).

Os trabalhos realizados serão acompanhados pela Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo Deputado Estadual Carlos Avalone.

“Por meio das secretarias de Meio Ambiente e Infraestrutura, parabenizo o governo do Estado pelo empenho em tão agilmente buscar soluções para reverter a seca de um dos principais pontos turísticos do Estado”, elogiou o parlamentar, destacando que o professor Rubem Mauro foi designado para acompanhar os trabalhos de mitigação dos danos ambientais representando o Poder Legislativo.

Para o Promotor de Justiça, Joelson de Campos Maciel, o restabelecimento do fluxo da água no Pantanal é essencial para garantir a vida no Bioma.

“Sem o fluxo de água, o Pantanal morre. Água é vida e um precisa do outro. Dentre as ações, serão estruturados planos para conter a invasão de áreas de preservação permanente e assoreamento de corixos para preservação da água”, enfatiza o representante do Ministério Público.

Ele explica que também ficou equacionado que os estudos irão abordar o aspecto humano, além dos técnicos, por meio de consultas às comunidades tradicionais que habitam a região.

Duas décadas de monitoramento

O nível e a qualidade da água da Baía de Chacororé são monitorados pela Sema desde 1999. De acordo com o analista de meio ambiente, Rafael Teodoro de Melo, a época foi construída uma barragem submersível no corixo do Mato para manter o nível da água da baía de Chacororé, o mesmo tipo de estrutura foi feita no corixo Tarumã para assegurar o nível de Siá Mariana. O corixo do Mato liga as duas baías, já o Tarumã conecta Siá Mariana ao rio Cuiabá.

A contenção feita com pedras e terra tem cerca de 2,5 metros de altura e além de controlar o fluxo, melhora a qualidade da água.

“O que vimos desde 1999 com a construção da barragem foi uma melhora significativa na qualidade da água das baías, melhorando o ambiente para a vida dos peixes”, relembra o engenheiro sanitarista.

Em 2010, a barragem do corixo do Mato foi destruída por ação humana e precisou ser refeita. Já em 2020, novas avarias foram encontradas e a própria comunidade recompôs a barreira.

Os corixos são corpos hídricos que levam água, nutrientes e ovas e peixes nos dois sentidos: na enchente leva água dos rios para a baía e na vazante a água e os peixes são levados de volta para o rio. Já um rio corre apenas em um sentido a partir de sua nascente.

A baía de Chacororé é abastecida a montante, parte alta, pelos rios Cupim e Água Branca que descem da região da Serra de São Vicente, já a parte baixa da baía é abastecida pelos corixos que ligam o banhado ao rio Cuiabá e pelo rio Chacororé.

Na cheia, o complexo de baías de Chacororé chega a 45 mil hectares de lâmina de água, a partir da união com Siá Mariana e Lago de Mimoso. Já na época da estiagem, a baía Chacororé ocupa uma área de 11 mil hectares.

Por Da Redação
Fotos: Marcos Vergueiro

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