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Cuiabá,03/04/2026

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Após revés no STF, CPI do INSS deverá ir para última sessão com guerra de relatórios

estadao.com.br
Após revés no STF, CPI do INSS deverá ir para última sessão com guerra de relatórios

BRASÍLIA – Após o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) reverter a prorrogação de trabalhos, a CPI do INSS deverá ter um dia de uma guerra de relatórios para definir qual versão prevalecerá na investigação do esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias.

A sessão está marcada para começar na manhã desta sexta-feira, 27, e há possibilidade de pedido de vista (mais tempo para análise) ao parecer do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

Articulação de última hora garantiu que oposição surpreendesse governo e elegesse presidente alinhado ao grupo; governo dessa vez é otimista que poderá derrubar parecer que deverá atacar Lula e aliados.

A depender dos ritmos do trabalho e do tamanho do impasse, o presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), não descarta até mesmo realizar a votação no sábado, 28, que é o último dia que a CPI tem para poder trabalhar.

De um lado está o texto de Gaspar, que migrou para o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta semana. O documento dele tem mais de 5 mil páginas e mais de 200 indiciados – um deles, ainda estuda o relator, poderá ser Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.

A Polícia Federal identificou que, no mesmo período em que Roberta recebeu ao menos R$ 1,1 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Ela pagou R$ 640 mil para uma agência de viagens que, de acordo com a PF, era usada por Lulinha.

Os governistas preparam um voto em separado, que pretende afastar o teor oposicionista que o grupo espera estar presente no parecer de Gaspar. Esse relatório paralelo terá mais de 100 indiciados e divide a operacionalização do esquema fraudulento em nove núcleos.

O presidente da CPI do INSS trabalhou ao longo desta semana para tentar construir um relatório de consenso. Mas o clima de guerra entre oposição e governo e o fim abrupto dos trabalhos da inviabilizou qualquer tentativa de acordo.

“A oposição aqui tentou de tudo, menos investigar de tudo menos o INSS. É por isso que a CPI chegou ao ponto que chegou”, afirmou Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na CPI.

Agora, caberá à comissão decidir isso no voto. Na maioria das votações feitas na CPI, o governo saiu triunfante ao angariar votos do Centrão para o seu lado.

“Foi muito claro o medo da base deles. Só o que eles queriam eles não conseguiram, que era fazer com que a CPI desgastasse o governo. Desgastou, porque há responsabilidade, sim. A CGU, por exemplo, não parou de descontar do Sindnapi, que é o sindicato do irmão de Lula. Isso desgastou muito”, afirmou Viana.

Como mostrou o Estadão, a CPI do INSS chegou ao fim com pontas soltas e lacunas na chamada segunda fase da investigação, iniciada neste ano.

Desde fevereiro, com a retomada dos trabalhos do Congresso, a comissão realizou oito sessões, cancelou outras seis reuniões e apenas um presidente do setor dos consignados, do C6 Consignado, foi ouvido até então.

O saldo dos integrantes é que houve um movimento de blindagem para evitar que a investigação aprofundasse.

Até então, a CPI já aprovou 2.150 requerimentos e rejeitou 92. Dentro desse universo, a comissão aprovou 1.027 requerimentos de transferência de sigilo, rejeitou 30, aprovou 779 convocações ou convites e rejeitou 99.

Foram 1.962 documentos recebidos até esta quarta-feira, 25. A maior parte do volume veio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), 649, e da Receita Federal, 599.




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