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'Bet da guerra': apostas em ataque dos EUA ao Irã levantam suspeitas de informação privilegiada

g1.globo.com
'Bet da guerra': apostas em ataque dos EUA ao Irã levantam suspeitas de informação privilegiada


O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante uma coletiva de imprensa no Trump National Doral Miami
REUTERS/Kevin Lamarque
Apostas feitas sobre a destituição do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, levantaram na segunda-feira (9) questionamentos sobre possível informação privilegiada e a pedidos de investigação por congressistas dos Estados Unidos.
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Khamenei foi morto em ataques aéreos dos EUA e de Israel na capital iraniana, Teerã, em 28 de fevereiro. Dias depois, parlamentares e analistas norte-americanos denunciaram que apostas feitas sobre a queda do líder supremo tanto em janeiro quanto imediatamente antes dos ataques podem ter sido feitas com o uso de informações privilegiadas.
A polêmica se instalou após a Bubblemaps, empresa de análise de mercados de blockchain, ter afirmado na rede social X que seis contas obtiveram um lucro de US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6,3 milhões) com apostas na Polymarket feitas nas horas anteriores aos ataques. A concorrente Kalshi também mantinha um mercado sobre a hipótese de “Khamenei fora do poder”.
Segundo uma análise da agência de notícias Reuters, apostas ligadas ao ataque dos EUA ao Irã movimentaram US$ 529 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) no Polymarket, e outros US$ 150 milhões (cerca de R$ 785 milhões) foram apostados em contratos sobre a remoção de Khamenei do cargo de líder supremo iraniano.
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Agora, após o assassinato de Khamenei e em meio a falas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a duração da guerra no Oriente Médio, investidores fizeram apostas nesta terça-feira (10) de que Trump encerrará o conflito em breve, segundo a Reuters. Um dos indícios para o movimento seria o aumento do preço do petróleo, o que ameaça o bem-estar mercado global.
“É insano que isso seja legal”, disse no domingo na rede X o senador democrata Chris Murphy, em resposta à publicação da Bubblemaps. Murphy disse também, sem apresentar provas, que pessoas próximas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estavam lucrando com o conflito. "Vou apresentar uma legislação o mais rápido possível para proibir isso", afirmou.
Questionado pela Reuters sobre a fala de Murphy, o porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, disse em e-mail que "o único interesse especial que orienta a tomada de decisões do governo Trump é o melhor interesse do povo americano".
O deputado democrata da Califórnia Mike Levin também chamou atenção nas redes sociais para uma aposta feita na Polymarket pouco antes dos ataques ao Irã. “Mercados de previsão não podem ser um veículo para lucrar com conhecimento antecipado de ações militares. Precisamos de respostas, transparência e supervisão”, escreveu.
Senadores democratas também haviam manifestado preocupações em 23 de fevereiro de que mercados de previsão violavam regras dos EUA e criavam incentivos para estimular conflitos e divulgar informações sigilosas, após um apostador misterioso obter cerca de 410 mil dólares de lucro apostando na deposição do ditador venezuelano Nicolas Maduro.
A Polymarket não respondeu a um pedido de comentário feito pela Reuters, mas argumenta que mercados de previsão utilizam a sabedoria coletiva para criar previsões precisas e imparciais.
A Kalshi afirmou que não permite apostas diretamente ligadas à morte de autoridades. O diretor-executivo Tarek Mansour disse que a empresa não lucrou com o mercado sobre Khamenei, após devolver taxas aos usuários. A Kalshi é uma plataforma regulada e afirma proibir participantes com informação privilegiada.
Questões legais
Os mercados de previsão tiveram um crescimento explosivo em popularidade desde a eleição presidencial dos EUA em 2024, quando suas probabilidades em tempo real se mostraram mais precisas do que pesquisas eleitorais ao prever a vitória de Donald Trump.
Esses mercados oferecem contratos negociáveis de “sim ou não” que permitem aos usuários apostar em uma ampla variedade de eventos do mundo real, desde esportes até política e economia. O custo das apostas varia entre zero e 100 centavos de dólar e normalmente paga quando o resultado é confirmado.
A legislação dos EUA proíbe apostas contrárias ao interesse público, o que pode incluir ou estar relacionado a guerra ou assassinato. Negociar com base em informações não públicas pode ser ilegal, dependendo do mercado, da natureza da informação e de quem a utiliza.
Essas plataformas cresceram em uma zona cinzenta das leis regulatórias. A Commodity Futures Trading Commission, que supervisiona a maior parte da negociação de derivativos listados, perdeu uma batalha judicial ao tentar proibir apostas sobre o resultado das eleições dos EUA.
Desde então, a agência afirmou que acredita que os mercados de previsão estão dentro de sua competência e planeja criar uma estrutura federal para supervisioná-los.
Um porta-voz da Commodity Futures Trading Commission não respondeu a um pedido de comentário na segunda-feira.
No ano passado, os mercados de previsão registraram US$ 47 bilhões (cerca de R$ 243 bi) em volume global de negociações, segundo analistas da corretora Clear Street, atraindo a atenção de empresas tradicionais de Wall Street interessadas em participar desse mercado.




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