Ao Governador da Capitania de Mato Grosso.

O prelúdio do nosso município Santo Antônio de Leverger esta entrelaçado com as origens de Cuiabá.

9 de fevereiro de 20218min
celsinho

Inicialmente com a alcunha de Santo Antônio do Rio abaixo, teve em sua história a presença marcante dos bandeirantes paulistas e como destaque a maciça produção açucareira. É uma cidade com um passado rico em grandes e ilustres personagens!

Seu nome originou-se de um fato digamos inusitado, a deixada da imagem do nosso padroeiro por uma das expedições paulistas, que percorriam naquela época o caminho do ouro, “lavras do Sutil”, datando da primeira metade do século XVIII, o Brasil ainda estava sob a égide da Coroa Portuguesa. Diz a história que após um ataque feroz dos índios Guató, resultando em várias embarcações destruídas e vítimas fatais, os bandeirantes resolveram se atracar à beira do Sangradouro e pernoitar. No dia seguinte ao se prepararem para a saída uma das embarcações se atraca em um banco de areia, tudo é retirado, mas nada acontece, até que a imagem de Santo Antônio que era levada nesta é retirada e deixada á beira do rio. Mais tarde outras expedições tentaram a proeza de retirá-la, mas não conseguiram. Resultando na construção de uma Capela de palha e o surgimento de um povoado de pescadores e agricultores.

Destaca-se que desde os meados de 1670 e 1673, temos as primeiras notícias de Bandeirantes Paulista que passaram por esse trilho, Manoel de Campos Bicudo teria subido o Rio até chegar no morro da Canastra, hodiernamente chamado de São Jerônimo, na Chapada. A nossa Leverger sempre foi o personagem, de nosso passado histórico, é o espelho do presente e verá o futuro do Estado de Matogrosso, bem de perto.

As Usinas em épocas mais recentes reluziam riqueza e independência econômica, no Século XIX eram as nossas belas e agitadas meninas de ouro: Maravilha, Conceição, Aricá, Tamandaré, São Miguel, São Sebastião e Itaicy. Essa última se destacou por possuir banda musical própria, capela, energia elétrica (primeiro lugar a ter em Mato Grosso) e até mesmo moeda própria, tudo isso no comando do temido Coronel Totó Paes de Barros.

Mas não só de Santo Antônio vive nossa Cidade, vive também do Leverger!

Augusto Leverger, posteriormente intitulado pelo Império Português como Barão de Melgaço, exerceu um papel fundamental como Almirante e diplomata, realizou o reconhecimento do Rio Paraguai, o roteiro de navegação do Rio Cuiabá até o São Lourenço, foi presidente da província por quatro vezes.
Recebeu o título de Barão de Melgaço por sua bravura em defender não só Mato -Grosso, mas também o Brasil dos paraguaios. Destaco aqui um elogio feito pelo Visconde de Taunay (primeiro e único visconde de Taunay, foi um nobre, escritor, músico, artista plástico, professor, engenheiro militar, político, historiador e sociólogo brasileiro), que colocou de modo emocionado e ufanista o seguinte pronunciamento:

“A população tomada de pavor, sem chefe, allucinada, tratava de abandonar em massa os seus lares, deixando ao azar da sorte suas casas, commodos, e haveres, quando a 20 de janeiro de 1865, o Sr. Leverger, ainda que alquebrado pelos annos e molestias, se apresentou resoluto e unico para iniciar e dirigir a resistencia. Deu-se então repentina e completa inversão no espirito publico; todos cobraram coragem, se reanimaram, correram ás armas, e o velho guerreiro, no meio de patrioticas ovações e de immenso enthusiasmo partiu sem se despedir da sua familia, a occupar o ponto do Melgaço e fazer frente ao invasor”.

Tudo isso aos pés do nosso Gigante Adormecido! O nosso Morro pomposo e Absoluto pelo qual todos os dias passamos e o admiramos. Para quem não sabe esse morro está na Bandeira do Estado de Mato Grosso e sua grandiosidade fez dele o guardião de nossas fronteiras lá pelas épocas de 1864 a 1870, como ponto de observação dos soldados mato-grossenses, que protegiam o estado de uma possível invasão de inimigos, durante a Guerra do Paraguai.

Possui uma proximidade com a Capital, Cuiabá, e também com Pantanal, de cima dele aprecia-se o Rio Cuiabá e suas curvas, o paredão da Chapada dos Guimarães, as Baias Siá Mariana e Chacororé, a Usina Itaicy grandiosa e longínqua, as fazendas e produtores rurais em suas rotinas bucólicas. Temos um panorama do que fomos e do que somos atualmente.

Enfim é um observador de nosso passado, presente e futuro. Irmão de Totó Paes e primo de Augusto Leverger, quiçá tio do nosso Senador Jonas Pinheiro.

Ele é o Gigante Silencioso, que futuramente poderá ser o Corcovado da História Mato-grossense. Nosso maior ponto Turístico!

Viu passar sobre os seus pés: Bandeirantes, índios, Soldados, governadores, coronéis do açúcar, períodos de paz e de guerra. Sonhar e sonhar, tê-lo reconhecido como Parque Cultural, Histórico e Ambiental é de encher o peito de orgulho. E nos faz reviver períodos importantes para a nossa História e de todo Brasil!

Leverger têm história, pergunte ao nosso Morro que em épocas pretéritas, observou os primeiros desbravadores portugueses, viu a fumaça diária da Usina Itaicy em épocas douradas, abrigou observadores das nossas fronteiras e hoje pode deitar em berço esplêndido, como não só um Parque de Preservação Natural, mas também Histórico, Cultural e com um enorme e inestimável potencial turístico.

 Como já dizia “Seo” Zuto (Meu bisavô); “Oh, Leverger eu vivo a te adorar…”

 Celso Bicudo Jr, advogado.

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