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Cuiabá,17/03/2026

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Promotoria acusa ‘Don Corleone’, ‘Danone’ e ‘Urso’ por tráfico de drogas do PCC em aviões

estadao.com.br
Promotoria acusa ‘Don Corleone’, ‘Danone’ e ‘Urso’ por tráfico de drogas do PCC em aviões

O Ministério Público de São Paulo denunciou dez envolvidos por tráfico de drogas e associação para o tráfico por depositar e transportar 510 tijolos de cocaína (509,9 kg) e três porções de maconha prensada (2,4 kg), além de utilizarem uma aeronave para levar os entorpecentes de Roraima a Campinas, no interior paulista. Entre os acusados estão João Carlos Camisa Nova Júnior, o “Don Corleone”, Anderson Silva Sampaio, o “Danone”, e André Roberto da Silva, o “Urso”, apontados como articuladores e financiadores do esquema, ligado, segundo a investigação, a uma rede de tráfico interestadual do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A investigação, segundo o MP, é um desdobramento das operações Mafiusi, Retis, Calvary, Narcobroker e Vila do Conde, que miram a cadeia de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas da facção. A Mafiusi inclui em suas investigações Willian Agatti, apontado como o ‘Concierge’ do PCC. Ele está preso sob a suspeita de ceder aviões para a facção.

Para a Promotoria, o proprietário da aeronave é William Barile Agatti, apontado pela Polícia Federal como o 'Concierge' do Primeiro Comando da Capital (PCC)

A Promotoria paulista não incluiu Agatti na denúncia contra o grupo de ‘Don Corleone’. “Willian Agatti nunca teve conexão com o PCC ou máfia italiana, ficará provada sua inocência na Operação Mafiusi. Ele está preso preventivamente de forma ilegal e abusiva.”

A descoberta da rota ocorreu após a prisão em flagrante de Bruno do Nascimento Souza, em 7 de outubro de 2020, em um imóvel na zona sul da capital paulista. Ele é um dos denunciados e apontado pelos investigadores como “guardião” e operador logístico terrestre do esquema.

Na ocasião, foram apreendidos 510 tijolos de cocaína, porções de maconha, um carregador de fuzil com 29 munições calibre 5.56, celulares, um caderno com anotações sobre o tráfico, balanças de precisão, seladora e bloqueadores de GPS, além de veículos com compartimentos ocultos. Segundo o MP, o imóvel funcionava como um centro logístico de distribuição de entorpecentes.

As diligências seguintes e a análise de dados extraídos dos celulares apreendidos permitiram identificar o uso de uma aeronave de prefixo PR-WYW, modelo Dassault Falcon 50, no transporte interestadual da droga, em voos com origem em Roraima e destino ao Aeroclube Campos dos Amarais, em Campinas.

Aeronave de prefixo PR-WYW, modelo Dassault Falcon 50, era empregada no transporte interestadual de cocaína

Fotografias localizadas nos aparelhos de Bruno mostram mochilas e bolsas com características idênticas às utilizadas para acondicionar parte da droga apreendida.

A investigação também identificou o uso de imóveis alugados com documentos falsificados e a compra de veículos em nome de terceiros, os chamados “laranjas”, para dificultar o rastreamento.

A denúncia do Ministério Público é subscrita pelos promotores Renata Rojo Rodrigues, João Augusto de Sanctis Garcia e Fabíola Aparecida Cezarini. Eles integram a Promotoria Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital.

Segundo a Promotoria, os dados reunidos indicam a existência de uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e uso de rotas aéreas e terrestres. O grupo utilizava pontos estratégicos como o Aeroclube Campos dos Amarais e o Haras do Kajuba, em São Pedro, além de imóveis de apoio e armazenamento na região do Jardim São Luís, na zona sul da capital.

As diligências da Polícia Civil de São Paulo concentraram-se no mapeamento da cadeia logística de recebimento, armazenamento e distribuição da droga destinada ao mercado paulista. Um caderno de contabilidade apreendido com Bruno, cuja autoria foi confirmada por perícia, registrava as quantidades recebidas e distribuídas a compradores identificados por codinomes como “Danone”, “Clube”, “Hulk”, “Trevo”, “Branco”, “Zeca”, “Teta” e “Jaca”.

O empresário João Carlos Camisa Nova Júnior, o 'Don Corleone': amigo de Willian Agati, o Concierge do PCC

De acordo com a investigação, todas as remessas eram distribuídas a compradores no Estado de São Paulo. O relatório também aponta que o termo “óleo”, usado nas anotações para se referir ao extrato de cocaína, indicava que o produto era destinado ao mercado interno, inclusive para a produção de crack.

Dassalt Falcon 50 e o ‘Concierge’ do PCC

De fabricação francesa e capaz de cruzar o Atlântico, a aeronave utilizada pelo grupo “transportava grandes cargas de entorpecentes” para abastecer o mercado paulista, segundo a investigação.

Para a Promotoria, o proprietário do Dassault Falcon 50, de prefixo PR-WYW, é William Barile Agatti, apontado pela Polícia Federal como o “Concierge” do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele foi acusado de tentar despachar 554 quilos de cocaína para o Porto de Valência, na Espanha, em dezembro de 2020.

Agatti é apontado como líder do esquema desmontado na Operação Mafiusi e aparece em outras investigações por suspeita de ligação com o PCC e com a máfia italiana ’Ndrangheta. Segundo os investigadores, ele seria responsável por controlar remessas de drogas e adquirir bens e imóveis para lavar o lucro do tráfico. Ele foi preso em janeiro.

Segundo o advogado Eduardo Maurício, responsável pela defesa de Agatti, “a cota do Ministério Público foi assertiva” ao não denunciá-lo “pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e associação para o tráfico”.

“Agatti é um empresário de conduta ilibada, e o fato de Willian ser o único que não foi denunciado, mostra a única verdade: que Willian Agatti nunca teve conexão com o PCC”, atesta a defesa. (leia abaixo a íntegra da nota do criminalista Eduardo Maurício)

A aeronave, segundo o MP, foi adquirida pela empresa Jet Class Aviation S.A., de propriedade dos denunciados Marco Antonio Bruno da Silva e Guilherme de Almeida Piscelli, por meio de contrato de compra e venda com garantia firmado em 6 de maio de 2020.

A companhia, por sua vez, locou o avião à JRCN Táxi Aéreo, pertencente a João Carlos Camisa Nova Júnior, o “Don Corleone”, apontado como articulador e financiador de todo o núcleo aéreo do esquema.

O que pesa contra cada denunciado

  1. Bruno do Nascimento Souza – Apontado como guardião e operador logístico terrestre da organização. Foi preso em flagrante em 10 de outubro de 2020 em um imóvel na zona Sul de São Paulo onde mantinha 510 tijolos de cocaína, porções de maconha, carregador de fuzil com munições, balanças de precisão, seladora, bloqueadores de GPS e veículos com compartimentos ocultos usados para transporte de drogas.
  2. José Wilson Rodrigues Santos Junior – Responsável pela locação de imóveis usados como entrepostos da organização criminosa mediante uso de documentos falsos. Utilizou documentação fraudulenta para alugar o imóvel onde foram apreendidos os 510 tijolos de cocaína e os equipamentos ligados ao tráfico.
  3. Daniel Pereira da Silva – Atuava na logística terrestre e aérea do esquema. Foi identificado em conversas extraídas do celular de Bruno tratando do “trampo do avião”, referência ao transporte aéreo de drogas. Vizinhos do imóvel usado para armazenamento da carga o reconheceram como frequentador habitual do local, onde comparecia com Bruno.
  4. Marco Antonio Bruno da Silva – Proprietário da empresa Jet Class Aviation S.A. e responsável por disponibilizar à organização a aeronave PR-WYW. O avião foi adquirido de Willian Barile Agatti e posteriormente locado à empresa JRCN Táxi Aéreo, de João Carlos Camisa Nova Júnior. Segundo relato de piloto, ele próprio contratou a tripulação para realizar o voo entre Boa Vista e Campinas.
  5. Guilherme de Almeida Piscelli – Sócio da Jet Class Aviation S.A., empresa que detinha a posse e o controle operacional da aeronave utilizada no transporte de drogas. A companhia locou o avião e contratou os pilotos envolvidos nas viagens. Como gestor da empresa, tinha responsabilidade sobre as operações e sobre a tripulação empregada nos voos.
  6. Thiago Almeida Denz – Piloto e comandante da aeronave PR-WYW. Registros da ANAC indicam que comandou o voo que transportou cerca de 500 quilos de cocaína de Roraima ao Aeroclube de Campinas em setembro de 2020. Segundo investigados, tinha conhecimento da presença da droga a bordo e recebia cerca de R$ 750 mil por operação.
  7. Renan Machado Melo – Copiloto da aeronave PR-WYW e participante da execução técnica dos voos clandestinos. Também figurava na tripulação do voo que transportou a droga apreendida e, segundo depoimentos de investigados, tinha conhecimento da carga ilícita.
  8. Anderson Silva Sampaio (“Danone”) – Apontado como comprador recorrente de drogas da organização. Anotações de contabilidade apreendidas com Bruno registram seu nome como adquirente frequente. Em cerca de um mês, teria comprado 336 quilos de cocaína e 198 quilos de maconha.
  9. João Carlos Camisa Nova Júnior (“Don Corleone”) – Apontado como articulador e financiador do núcleo aéreo da organização. Proprietário da empresa JRCN Táxi Aéreo, foi responsável por fretar a aeronave utilizada no transporte da droga entre Roraima e Campinas. Confirmou que o voo foi organizado a seu pedido e indicou que os pilotos tinham conhecimento da carga ilícita.
  10. André Roberto da Silva (“Urso”) – Apontado como responsável por apoio logístico e operacional. Titular da empresa de exportação de grãos CIP Group, foi identificado como passageiro do voo que levou os entorpecentes de Roraima a Campinas. Em depoimento, afirmou que Camisa Nova lhe propôs usar sua estrutura empresarial para envio de drogas e confirmou ter viajado na aeronave com os pilotos e o próprio Camisa Nova.

O Estadão busca contato com a defesa dos denunciados. O espaço está aberto.

Os núcleos do esquema, segundo a Promotoria

  • Núcleo de comando e financiamento aéreo – Formado por João Carlos Camisa Nova Júnior (“Don Corleone”), apontado como responsável pela articulação e financiamento das operações, além da contratação de pilotos e do fretamento da aeronave utilizada no transporte de drogas, e por André Roberto da Silva (“Urso”), que prestava apoio logístico, participou de voos estratégicos e é descrito como elo com estrutura portuária usada para exportação.
  • Núcleo de execução aérea – Integrado pelos pilotos Thiago Almeida Denz, comandante da aeronave, e Renan Machado Melo, copiloto. Ambos são descritos como profissionais contratados para realizar o transporte interestadual e internacional de entorpecentes, com conhecimento da carga transportada e atuação nas operações dos voos.
  • Núcleo de infraestrutura empresarial – Composto por Marco Antonio Bruno da Silva e Guilherme de Almeida Piscelli, proprietários da empresa Jet Class Aviation S.A., que detinha a posse operacional da aeronave PR-WYW e contratava os pilotos, fornecendo a estrutura empresarial utilizada nas operações aéreas.
  • Núcleo de armazenamento e distribuição terrestre – Formado por Bruno do Nascimento Souza, apontado como guardião da droga, responsável pelo controle da contabilidade e pela distribuição das cargas, e Daniel Pereira da Silva, descrito como auxiliar direto de Bruno nas atividades logísticas terrestres e também em operações ligadas ao transporte aéreo.
  • Núcleo imobiliário e documental – Integrado por José Wilson Rodrigues Santos Junior, responsável por alugar imóveis usados como entrepostos da organização mediante uso de documentos falsos.
  • Núcleo de aquisição e revenda – Representado por Anderson Silva Sampaio (“Danone”), apontado como comprador recorrente de grandes quantidades de cocaína e maconha, atuando na etapa de aquisição e redistribuição das drogas.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE WILLIAM AGATTI

O criminalista Eduardo Maurício, advogado de defesa de Willian Agatti, afirma que o processo está em segredo de justiça, mas desde já salienta que, após a defesa protocolar pedido de arquivamento, a cota do Ministério Público foi assertiva em não denunciar Willian Agatti pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Agatti é um empresário de conduta ilibada, e o fato de Willian ser o único que não foi denunciado, mostra a única verdade: que Willian Agatti nunca teve conexão com o PCC, máfia italiana, e a defesa segue confiante que ficará provada a inocência do empresário também na Operação Mafiusi, em que Agatti encontra-se preso preventivamente, de forma ilegal e abusiva, em um processo com inexistência de autoria delitiva, bem como com nulidades de cadeia de custódia e provas manipuladas inválidas de SKY ECC (sistema de comunicação criptografado que era usado por organizações criminosas).




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