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Cuiabá,17/03/2026

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Juiz decreta prisão preventiva de delegada do PCC por acesso à nuvem de delegado e glórias à facção

estadao.com.br
Juiz decreta prisão preventiva de delegada do PCC por acesso à nuvem de delegado e glórias à facção

A Justiça de São Paulo decretou nesta segunda, 16, a prisão preventiva da delegada da Polícia Civil de São Paulo Layla Lima Ayub, a ‘delegada do PCC’, e de seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, o ‘Dedel’, apontado como líder da facção na região Norte do País. O casal estava preso em regime temporário desde janeiro passado sob acusação de agir a favor dos interesses da organização criminosa, inclusive em esquema de lavagem de dinheiro.

O Estadão não obteve retorno da defesa de Layla. O espaço está aberto. A reportagem busca contato com a defesa de ‘Dedel’.

'Dedel' é namorado da delegada de carreira da Polícia paulista, Layla Lima Ayub

Layla está detida na carceragem do 6.º Distrito Policial, no Cambuci, região central de São Paulo. Agora, com a preventiva decretada, deverá ser removida para a Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba. ‘Dedel’ deverá permanecer no CDP Pinheiros.

Ao endurecer o regime prisional da ‘delegada do PCC’ e de seu companheiro, o juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2.ª Vara de Crimes Tributários e Organização Criminosa, ressaltou fatos a ela atribuídos na investigação da Corregedoria da Polícia Civil. Segundo o inquérito, Layla ‘colaborou com a facção, valendo-se do cargo de delegada’.

Ainda de acordo com a Corregedoria, ela também compartilhou dados sigilosos da Academia de Polícia; acessou o One Drive (nuvem) de um colega da corporação; comunicou endereço falso; atuou em audiência como advogada depois de já ter sido empossada na polícia paulista; deu suporte à evasão e descumprimento de condições; produziu e divulgou material musical exaltando o PCC.

“Conforme demonstrado no relatório policial, os fatos sob apuração revelam a atuação dos investigados (Layla e ‘Dedel’) em integração e liderança de organização criminosa, com capacidade de coordenação em dois estados simultâneos, Pará e São Paulo, além da logística de lavagem de dinheiro e difusão midiática de apologia”, assinala o juiz Paulo Deroma em sua decisão de cinco páginas.

Ex-policial militar no Espírito Santo, Layla Ayub teria um relacionamento amoroso com um integrante do PCC no Pará

Layla tomou posse no dia 19 de dezembro em solenidade no Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista, na presença do governador Tarcísio de Freitas. Dez dias depois ela atuou como se ainda fosse advogada em uma audiência por vídeoconferência na Justiça de Marabá, no Pará, em que patrocinou a defesa de integrantes de uma outra poderosa célula do crime organizado, o Comando Vermelho, segundo o inquérito da Corregedoria da Polícia.

O juiz Paulo Deroma, da 2.ª Vara de Crimes Tributários, alerta que a investigação mira ‘grupos complexos, com facilidade na reinserção de membros nas atividades ilícitas’. “A jurisprudência é pacífica em aceitar a segregação cautelar como importante instrumento a ser utilizado para interromper a atuação de organização criminosa, ressaltando-se que estes grupos possuem facilidade em interferir na instrução processual e acobertar seus membros, de modo a impedir a aplicação da lei.”

A Corregedoria destacou na representação pela prisão preventiva, que a ‘delegada do PCC’ acessou repositório de nuvem de um delegado de Polícia para ‘antecipar-se a diligências, inclusive discutindo estratégias de obstrução, existindo risco concreto de destruição de vestígios digitais, combinação de depoimentos e intimidação indireta de agentes públicos’.

Sobre ‘Dedel’, foi indicado que ele ‘exerce a função de liderança da facção criminosa PCC no Pará’, além da produção e disseminação de conteúdo relacionado à facção. Ele teria sido incumbido da ‘prática de atentados contra autoridades do sistema prisional e magistrados’.

Investigação também aponta que Layla e Jardel passaram a residir juntos em São Paulo após a posse da delegada

Para o juiz Deroma, ‘a custódia cautelar visa também à conveniência da instrução criminal, assegurando a participação dos investigados nos principais atos processuais, resguardando, ainda, as testemunhas, de modo que se mantenham isentas de coação ou pressão, preservando a prova a ser colhida durante a fase judicial, sob o crivo do contraditório’.

Paulo Deroma alerta para o risco de fuga de Layla e seu namorado. “Também não se pode ignorar que, considerando a quantidade de pena prevista para o crime cuja prática se lhes imputa e à míngua de ligações concretas com o distrito da culpa, não é desprezível a possibilidade de evasão, o que, inexoravelmente, implicaria no retardamento da marcha processual, obstando a desejável citação pessoal e o efetivo cumprimento de eventual pena condenatória, em evidente prejuízo à aplicação da lei penal.”

Meio de vida

Para o juiz, a ‘segregação cautelar se mostra necessária para que se assegure a instrução criminal, e para a garantia da ordem pública, com a cessação das atividades criminosas’.

Ele destaca que ‘eventual primariedade não é suficiente para impedir a segregação cautelar, uma vez que, conforme indicado pelos elementos de convicção juntados, os requeridos possuem no crime seu meio de vida, dedicando-se de forma reiterada às práticas delitivas’.

As investigações apontam ainda que, durante o ano de 2025, Layla Lima Ayub, na condição de advogada, fez ‘múltiplas visitas a líderes da facção criminosa PCC no Pará, dentre eles Jardel Neto Pereira da Cruz, vulgo Dedel’. “Por fim, as investigações indicaram possível ato de lavagem de capitais por intermédio de uma padaria na zona leste de São Paulo.”

O Ministério Público se manifestou pela prisão preventiva do casal. “De fato, há indícios da materialidade do delito, bem como da autoria”, anota o juiz.




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